Na época eu ainda recebia e-mails do meu antigo colégio técnico, e-mails com anúncios de estágios e empregos. Não costumava dar atenção a eles, pois eram sobre estágios, e estágios não me interessavam. Os empregos que surgiam eram relacionados a programação, e de programação eu não entendo nem quero entender absolutamente NADA, pois é cansativo e é dominado majoritariamente por rpgistas rockeiros.
Porém, num desses e-mails, surgiram várias vagas pra uma loja de informática que ainda seria aberta no shopping. Havia três vagas para vendedor, uma para técnico em informática e uma para caixa. A vaga para caixa, como eu viria a saber mais tarde, era direcionada a meninas. A vaga para técnico, como eu já sabia desde o início, não era para mim. Até hoje minha cabeça ferve com a parte técnica da informática, probleminhas simples me dão dor de cabeça e eu fujo desse inferno. No entanto, as vagas para vendedor eram atraentes. Lidar com pessoas, conversar o dia todo, conhecer gente nova, seria um grande desafio pra mim, seria algo inédito, que eu nunca havia feito nem pensado em fazer, seria um treino pra eu aprimorar minhas habilidades sociais.
Preparei um currículo, mandei pro e-mail do futuro dono da loja. Pensei que ele fosse um sujeito fodão na área da informática, mas não era. Era um microempresário disposto a arriscar nesse ramo, que apesar de entender bastante sobre finanças e gostar de empreender, não sabia quase nada de informática em si.
Ele me ligou alguns dias depois, disse que meu currículo havia sido selecionado e perguntou quando eu estaria disponível para uma entrevista. Fiquei me sentindo o máximo, gosto de novidades, principalmente quando elas prometem dinheiro, e disse que poderia comparecer quando fosse melhor pra ele. O cara marcou a entrevista pra uma quinta feira de manhã.
A entrevista aconteceu em seu apartamento. Na verdade foi no prédio, na área de recepção. Conversamos um pouco, ele me fez as perguntas de praxe e eu deixei bem claro que ser vendedor seria um grande desafio, um desafio que me deixava muito entusiasmado, mas que eu não tinha a mínima experiência na área. Eu estava falante e com um sorriso largo no dia da entrevista, de fato levo jeito pro negócio. Ele gostou de mim e eu percebi isso. Disse que dali há alguns dias me ligaria, pra avisar se eu tinha sido escolhido ou não.
Me ligou uns dias depois, tinha sido escolhido. Me chamou pra mais uma conversa, onde acertou os detalhes, como salário, benefícios, datas e etc. Disse também que seria necessário um treinamento em São Paulo, numa loja da mesma rede num shopping.
A loja que ele ia abrir era uma franquia na verdade, de uma grande rede de lojas de informática presentes no Brasil todo. Ele havia desembolsado uma boa grana, investido quase tudo que tinha nesse projeto. Aliás, não sei como é que ele teve coragem de apostar o futuro do empreendimento dele nas mãos de profissionais inexperientes como eu e como os outros funcionários, entre vendedores, técnico e caixa.
A viagem pra São Paulo foi marcada para algum dia de outubro, não me lembro. Durou o dia todo, foi um dia muito cansativo. Conheci os outros contratados, ou seja, os outros dois vendedores e a caixa. O técnico não pôde ir, mas o “treino” dele não era necessário. O que ele deveria fazer ele já sabia como fazer. Mas nós, os vendedores contratados, não tínhamos a menor experiência. Era preciso aprender com os mestres das vendas lá de São Paulo.

























